
PS apela ao voto no “sim” contra o aborto clandestino e a prisão
O “PS está mobilizado” para o voto “sim” no referendo de 11 de Fevereiro para acabar com o aborto clandestino, “uma vergonha nacional”, e a pena de prisão das mulheres, afirmou hoje o dirigente socialista António Costa, em conferência de Imprensa, realizado na sede nacional do Largo do Rato.
António Costa, que se encontrava acompanhado pelos camaradas Maria Manuela Augusto e Pedro Nuno Santos, respectivamente, presidentes do Departamento Nacional das Mulheres Socialistas e da Juventude Socialista, afirmou que é preciso votar “sim” para alterar a actual lei que já provou à sociedade ser ineficaz, apenas “promovendo a clandestinidade do aborto, praticado sem condições de segurança”.
E lembrou, a propósito, que em Portugal são praticados 18 mil abortos clandestinos por ano, sendo que 18 por cento dos óbitos maternos ocorrem na sequência de complicações pós-aborto, segundo dados da Associação de Planeamento Familiar.
Segundo António Costa, a lei portuguesa ainda é das mais restritivas da Europa e deve aproximar-se das soluções em vigor nos países mais desenvolvidos, que partilham os nossos valores. Por isso, frisou, “o voto no ‘sim’ também faz parte integrante da modernização do país”.
Outra das razões avançadas pelo dirigente socialista para o voto no “sim” é pôr termo à prisão, porque o aborto “não se trata com prisão”, já que é “uma questão de saúde e de apoio social”.
Salientando que “não é aceitável que se criminalizem consciências”, António Costa criticou ainda a falsa solução daqueles que afirmam ir votar “não” mas ao mesmo tempo dizem ser contra a pena de prisão. “Não há crime sem pena. Quem não quer a pena de prisão deve votar ‘sim’”, disse.
O dirigente socialista fez ainda um apelo à participação no referendo, manifestando a sua convicção de que “os portugueses saberão decidir bem”, ou seja, depositando nas urnas o voto no “sim”.