Mostrando entradas con la etiqueta portugués. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta portugués. Mostrar todas las entradas

martes, 17 de julio de 2007

Provérbios Tugas


Ahora que Saramago anda diciendo que Portugal puede unirse a España, es un soñador de quimeras, merece la pena recordar algunos rasgos culturales de los portugueses, no nos diferencian tantas cosas y en muchas somos hijos de la misma madre.
Adivinanzas
Ave sou/penas nao tenho/pêlo de ovelha me cobre/de cabeça sou mui pobre/numa árvore me sustenho: avelã.
Casinha branca sem porta nem tranca: ovo.
Qual é o animal que tem mais que três olhos e menos que quatro?: piolho.
Verde foi meu nascimento/e de luto me vesti/para dar a luz ao mundo/mil tormentos padeci : azeitona.
Provérbios
A boda e a batizado, não vás sem ser convidado.
A galinha da minha vizinha é sempre melhor que a minha.
Diz o tacho para a panela: sai daqui, não me enferretes.
Boa fama granjeia quem não diz mal da vida alheia.
Broa quente, muita na mão e pouca no ventre.
Trava - Línguas
O rato roeu a roupa do Rei de Roma a rainha com raiva resolveu remendar.
Qual é o doce que é mais doce que o doce de batata doce? Respondi que o doce que é mais doce que o doce de batata doce é o doce que é feito com o doce do doce de batata doce.
Sabendo o que sei e sabendo o que sabes e o que não sabes e o que não sabemos, ambos saberemos se somos sábios, sabidos ou simplesmente saberemos se somos sabedores.
Embaixo da pia tem um pinto que pia, quanto mais a pia pinga mais o pinto pia.
O desinquivincavacador das caravelarias desinquivincavacaria as cavidades que deveriam ser desinquivincavacadas.
Como dos gotas de agua, la cultura popular, los refranes y los proverbios son parte de un tronco común, en cada país crecieron, se hicieron mayores, ahora toca acercarnos más, cada vez más, respetando que cada uno es lo que es.
Hay muchos más en una página de la Universidad del Minho, merece la pena visitarse.

sábado, 3 de marzo de 2007

Nazaré que lindo é















25 de abril do ano 1991.


CÂMARA MUNICIPAL DA NAZARÉ
SECRETARIA
María Luisa Dos Santos Dionisio, Chefe de Repartiçao Administrativa da Câamara Municipal do Concelho da Nazaré: CERTIFICA, que da Acta da Reuniao Ordinaria da Câmra Municipal da Nazaré realizada em quince de abril de mil novecentos e noventa e um, consta uma deliberaçao do seguinte teor:
ATRIBUIÇAO DE MEDALHA DE HONRA DO CONCELHO DA NAZARE AO DR. JOSE CARLOS MOLINA.
Presente proposta subscrita pelo Vereador Dr. Helio Manuel Coelho Matias, que é do seguinte teor: "Nem sempre a vontade dos homens é condiçao necessária para se conseguir a soluçao de alguns problemas, mas se a essa vontade juntarmos a capacidade de intervençao, algo mesclada com uma crescente amizade, fruto de uma vivência que sempre se renova... entao tudo é possível. O Dr. José Carlos Molina conhecedor e utilizador há muitos anos da Nazaré, é sem dûvida a alma mater de todo o processo de Geminaçao NAZARE/BADAJOZ.
Atribuiçao de Medalha de Honra do Concelho da Nazaré. Deliberado aprovar a proposta por voto secreto e por unanimidade.
Por ser verdade e pedido passo a presente certidao que assino e autentico com o selo branco em uso neste Municipio.
Nazaré, 25 de abril de 1991.
Foi lindo, o protocolo de geminaçao foi assinado, em sesao solemne nos Paços do Concelho, no día 25 de abril de 1991, pelo Presidente da Càmara Municipal da Nazaré, Dr. Luis Filipe Soares Monterroso, e pelo Vereador Sustituto do Presidente da Câmara Municipal de Badajoz, eu proprio.
Eu tenho o meu coraçao na Nazaré, sou um nazareno mais, e lembrando-me do mote do Carnaval da Nazaré 2007 .
"É demais desmasiade".
Para conhecer bem Nazaré facer clik neste link, é uma maravilha.




viernes, 2 de marzo de 2007

Mega-operação da BT.



Apanhado a 212 km/h na A1.


Passavam poucos minutos da uma da manhã quando a Brigada de Trânsito (BT) da GNR tomou conta da A1, no sentido Norte/Sul, e da aérea de serviço de Leiria. Da mega-operação de fiscalização resultou a detenção de três condutores, por conduzirem sob o efeito do álcool, e um automobilista «ganhou» o recorde de velocidade com o radar a marcar 212 km/h.

Perto de 100 militares da BT estiveram envolvidos na operação e nem o líder do PSD, Marques Mendes, escapou à fiscalização. O deputado foi mandado parar, mas acabou por seguir caminho sem que fosse registada qualquer infracção. «Parei para cumprir. Estas operações são importantes», disse aos jornalistas.

No total foram abordados 297 condutores. Destes, 120 foram autuados por diversas infracções, como transporte irregular de mercadorias, irregularidades nos documentos, excesso de álcool e de velocidade.

O «acelerador a fundo» foi mesmo uma das principais infracções registadas, com a BT a passar 24 multas por este motivo. O mesmo não se pode dizer do consumo de álcool. Todos os condutores foram ao «balão», no entanto, apenas seis acusaram valores positivos no consumo, sendo que, três foram detidos por conduzirem com mais de 1,2 g/l de álcool no sangue.

«São resultados positivos, especialmente no álcool. É sinal que as pessoas estão mais conscientes. No entanto, é preciso ter em conta que não estávamos junto de zonas com frequência de bares, onde, naturalmente, são detectadas mais infracções desta natureza», explicou uma fonte da Brigada de Trânsito.

Além da BT, a operação contou com militares da Brigada Fiscal, do Pelotão de Intervenção Rápida e das Alfândegas. Foram fiscalizados todos os veículos, pesados e ligeiros.

Dois Subarus Impresa circularam ontem de manhã em contramão na A29 entre os nós de Ovar Sul e Ovar Norte, provocando o pânico em dezenas de condutores, noticia o Correio da Manhã. Testemunhas indicaram que os carros pareciam estar a fazer uma corrida.

A Brigada de Trânsito ainda terá tentado fechar a saída de Maceda, mas os dois automóveis, que vinha em excesso de velocidade, terão saído da A29 no nó anterior. «Só por milagre não ocorreu um grave acidente», explicou ao jornal André Santos que também circulava na A29.

Segundo a testemunha os dois carros pretos, com os médios acesos e quatro piscas ligados, apareceram de frente e, por pouco, não colidiram com dois camiões que seguiam à frente de André Santos. «Um passou pela faixa da esquerda e outro pela berma encostado aos rails. «Nem mexi o volante, fiquei branco».
ç
Poucos metros à frente saiu da via rápida e tentou ligar para o 112, mas em vão «porque estava ocupado». Ligou então para os bombeiros de São João da Madeira, onde é voluntário, e foi o operador central que avisou a BT de Santa Maria da Feira.

«Tínhamos uma patrulha no nó de Maceda, já antes deste alerta, mas não passou nenhum carro em contramão», disse ao jornal o sargento Duarte. O mesmo adiantou que recebeu outros dois telefonemas «mas, como não vimos nada, não podemos confirmar».
Este sargento Duarte é mesmo um tipo giro, mais Portugal é diferente, a malta gosta do acelerador a fundo.
Estes tugas gostam muito da velocidade...... malandros.

martes, 27 de febrero de 2007

Fado, dos meus amores


Fado, cançao do povo.

Canções que viajam pelo Mar


Os portos de mar sempre foram locais de partida e chegada de pessoas e mercadorias. Mas nos barcos também vinham as culturas e nas cidades portuárias fez-se a sua miscigenação.

Ao longo de séculos, os barcos foram transportando, de porto em porto, traços culturais que criaram as raízes da primeira globalização.

Profundamente ligado à vida marítima e à actividade portuária aparece também o fado. Assim, o fado enquanto expressão de música popular característica e original de Lisboa será inserido no conjunto mais vasto das manifestações culturais com traços semelhantes nascidas em cidades onde também existe uma ligação profunda ao mar.

No século XVIII, criou-se no Brasil um cruzamento de três continentes. O resultado apareceu sob a forma de manifestações culturais novas, que integravam a Europa, a África e a América. A componente africana foi levada pelos escravos negros. A esta misturaram-se traços das culturas ameríndias pré-existentes no Brasil.

A cultura do colonizador europeu, pelo seu lado, contribuiu com as tradições rurais portuguesas e com o barroco. Acrescia ainda o intercâmbio resultante dos contactos portuários que ligavam a Índia, a Ásia e a África. De tudo isto resultaram expressões como as modinhas e o lundum.

No início do século XIX, a corte portuguesa refugiou-se no Brasil na sequência das invasões francesas. O fado passou a integrar influências dos ritmos brasileiros em intercomunicação com a poesia nascida nos bairros populares de Lisboa. Foi também por esta altura que a guitarra de 12 cordas, introduzida pela colónia britânica residente na cidade do Porto, passou a acompanhar o fado. A relação entre a voz e o instrumento passou a ser directa, com o estilo vocal a tornar-se muito expressivo e a equilibrar as deficiências do vocabulário popular.

No século XX, o fado fez a sua estreia no teatro musical e na rádio. O fado das tabernas resistiu às luzes do salão. Mas em 1927 surgiu regulamentação que obrigava à posse de carteira profissional para se cantar em público. Mais tarde, o fado projectou-se internacionalmente como a canção nacional. O fado ganhou espaço na literatura, no cinema e na indústria discográfica, adquirindo uma dimensão nova. Mas permaneceu como expressão musical profundamente relacionada com outras manifestações culturais de cidades portuárias, o que exprime uma relação muito antiga de trocas culturais. Este facto dá ao fado um destaque especial na era da globalização.

A alma dos portugueses

O fado não é apenas uma canção acompanhada à guitarra. É a própria alma do povo português. Ouvindo as palavras de cada fado pode sentir-se a presença do mar, a vida dos marinheiros e pescadores, as ruelas e becos de Lisboa, as despedidas, o infortúnio e a saudade.

A grande companheira do fado é a guitarra portuguesa. Juntos, fado e guitarra, contam a essência de uma história ligada ao mar.O fado, por ser de todos os portugueses, está na taberna e no salão aristocrático. Surgido na primeira metade do século passado, depressa se tornou na canção popular de Lisboa. Desde então, manteve sempre as sua características de expressão de sentimentos associados à fatalidade do destino.

O fado está marcado pelo phatos das tragédias da Grécia clássica.A canção emblemática de Lisboa é também indissociável dos seus bairros mais típicos. Alfama, Mouraria, Bairro Alto e Madragoa são os seus mais autênticos berços. Por esta razão, ouvir o fado é conhecer Lisboa. É também conhecer os portugueses, no mais profundo da sua alma de povo que enfrentou o mar desconhecido.E, por ser uma canção nacional, o fado está igualmente marcado pelo atracção que a aristocracia boémia sentiu pela ruas e vielas de Lisboa, pelas tabernas e pelas mulheres. O fado foi partilhado por fidalgos, por vadios e por marinheiros. No regresso ao salão aristocrata, trouxeram o fado para que fosse acompanhado ao piano.

A companheira do fadoA guitarra portuguesa é a grande companheira do fado. A sua origem remonta ao cistro surgido na França e na Itália do Renascimento.O cistro viajou desde o século XVI pela Alemanha e pela Inglaterra, tendo sido intro-duzido em Portugal pela colónia britânica radicada na cidade do Porto.

Abandonada nos outros países europeus, a guitarra adaptou-se e criou raízes em Portugal. A sua evolução deu-lhe características próprias, passando a ser designada por guitarra portuguesa.


jueves, 22 de febrero de 2007

Sarkozy pensa em Portugal?








Candidato presidencial está empenhado em envolver comunidade lusa.
Mais de um milhão de portugueses e luso-descendentes vivem actualmente em França.


O site oficial de Nicolas Sarkozy, candidato às eleições presidenciais francesas, vai apresentar semanalmente um vídeo em língua portuguesa com informações sobre a campanha, disse hoje à Lusa o presidente do comité português de apoio ao candidato.
Paulo Marques adiantou que os portugueses residentes em França podem ver, todas semanas, um vídeo com informações sobre Nicolas Sarkozy e a sua campanha.
«As imagens mostram o que foi feito durante uma semana», referiu, adiantando que o site oficial da campanha (www.sarkozy.fr) apresenta ainda vídeos em várias línguas.
O luso-descendentes Paulo Marques, autarca pela UMP (União para um Movimento Popular) em Aulnay sous Bois, arredores de Paris, salientou que a campanha de Nicolas Sarkozy está «muito empenhada» em envolver a comunidade portuguesa nas eleições.
De acordo com o luso-descendente, a sede de campanha está a aberta aos portugueses, que podem realizar várias iniciativas.
Nesse sentido, o comité português de apoio ao candidato vai organizar uma sessão de fados, encontros com empresários, movimento associativo e jovens, além de pretender promover um encontro entre Nicolas Sarkozy e os portugueses.
Por outro lado, Paulo Marques lançou hoje um apelo aos portugueses para que criem comités de apoio em várias cidades francesas.
Os comités, que o luso-descendente espera que surjam em Lyon, Bordéus, Marselha, Clemond Ferrand, Orleans e Lille, têm como objectivo realizar projectos em prol da vitória de Nicolas Sarkozy nas eleições de 22 de Abril.
Paulo Marques, que é também presidente da associação dos portugueses eleitos nas autarquias francesas (CIVICA), estima que cerca de 500 mil luso-descendentes de segunda e terceira geração possam votar para as presidenciais francesas.
«É difícil saber o número exacto de portugueses que votam, uma vez que têm a dupla nacionalidade e são considerados franceses, não havendo uma distinção», explicou, acrescentando que estes números são só uma estimativa.

É curioso, coitados portugas, que um homem nascido na Hungría tem agora muita preocupaçao pelos lusos que moram na França, mais é mesmo política, curiosa, mais política.



martes, 20 de febrero de 2007

Em defesa da língua portuguesa


Em defesa da língua portuguesa.

Meio milênio depois da descoberta das Américas e da criação e do desenvolvimento da América portuguesa é bom refletir sobre o produto cultural mais significativo deste processo: a língua portuguesa. Antes de este artigo ser escrito, a Mangueira - Salve a Mangueira! - já havia, na vanguarda da cultura popular brasileira lembrado disto, no belíssimo samba-enredo deste ano.
O Império colonial luso foi formado na mesma época acima citada, indo muito mais longe. Incluiu várias regiões da África e da Ásia. No que viria a ser o Brasil, o Império criou sua mais rica colônia sustentada pelo braço dos autóctones e dos africanos convertidos em escravos e imigrados forçados.
Na África, o mesmo Império organizou o tráfico de seres humanos e a produção de subsistência local. Na Ásia, permaneceu no Japão por um século, mordiscou as costas da Índia, do sudeste asiático e da velha China, chegando à Oceania, onde não se estabeleceu, mais se aproximou com algum interesse das costas australianas.
Como conseqüência destes e de outros problemas, a língua portuguesa tem quinhentos ou mais anos de presença nos quatro cantos do mundo. Mesmo que o português não tenha conseguido se consolidar em todos os lugares por onde passou, de algum jeito deixou sua marca que continua a reverberar. Hoje, sobretudo, a partir do seu maior contingente de falantes, isto é, do Brasil.
No tempo da diáspora mundializada, os falantes do português avançaram ainda mais. Eles estão por toda a parte através da emigração na direção de onde ainda existe trabalho e salários melhores.
Em alguns casos, esta língua, quando está fora do seu território original, contenta-se em ser uma fala da família e/ou da comunidade da mesma origem. As novas gerações dos filhos dos emigrantes para os países mais ricos estão a perdendo. As versões escritas e faladas do português são fundamentais para manter a comunicação viva desta língua no cérebro de todos os envolvidos.
As descobertas e os processos de colonização jamais foram um caminho de mão única. Os colonizadores sofreram influências dos colonizados. Estes últimos também descobriram novas culturas que chegaram por meio da nova língua de comunicação, imposta pelo poder colonial.
Não se sabe muito sobre os sentimentos dos ameríndios, dos africanos e dos asiáticos sobre a língua do colonizador português. Os vencedores construíram suas versões dos fatos. Pode-se imaginar a surpresa inicial e, no próximo passo, a revolta contra a opressão.
Com o tempo, a língua do colonizador transformou-se na principal língua de comunicação. Todavia, houve sempre a incorporação de palavras, costumes, acentos e outras características dos colonizados. Isto é o que aconteceu de modo muito evidente no Brasil e nas colônias portuguesas na África.
Há várias formas de falar e escrever o português. Todas as tentativas de se tentar criar uma forma única - a que seria justa e correta - não conseguiram sucesso. Não é possível impedir os povos de manejar as suas línguas de acordo com as suas histórias, culturas e interesses.
Não existe a possibilidade de um português perfeito. Isto é uma utopia negativa e desmobilizadora. O mesmo se pode dizer de um francês perfeito etc. As línguas são corpos vivos nas almas das pessoas que as utilizam por toda a vida. Fazem parte dos corpos biológicos dos que as conseguem falá-las, escrevê-las e retê-las em seus registros neurais.
A capacidade da língua portuguesa de se adaptar e de ser falada por culturas muito diferentes é a mesma do inglês e do francês. O português é uma língua de cultura, equivalente às demais línguas modernas. Isto quer dizer, que se pode falar de qualquer coisa simples ou complexa, usando-se a língua de Camões.
A vitória desta língua consiste na: força de mais do que 200 milhões de falantes; existência de uma vasta e complexa literatura; a presença de redes científicas que trabalham em português; incorporação do léxico e da sintática das experiências culturais européias, africanas, americanas e asiáticas; onipresença da música cantada em português e de vários outros artefatos da indústria cultural que fala o português.
A geografia da língua portuguesa foi, na origem, quase a mesma das grandes descobertas dos navegadores do mesmo país. As línguas dos autóctones foram substituídas com força no lado atlântico da América do Sul. Na Ásia, o pequeno tamanho da colonização e a resistência local impediram uma vitória lingüística total. Na África, a presença do português jamais obteve o esmagamento completo das línguas locais.
Hoje, como efeito da força das emigrações para os países ricos e de outros problemas da mundialização, esta língua está presente bem longe das viagens dos portugueses. É falada nos Estados Unidos, no Canadá, na França etc.
A geografia física determina a posição ocidental de Portugal. Este país seria um país do Ocidente. No nível físico, é isto mesmo. Portugal é um país europeu-ocidental. Hoje, muitos dos portugueses adoram o fato da incorporação de seu país ao Euro e a CEE. O passado de isolamento foi superado.
No sentido da cultura e da história, as coisas são bem diferentes. O Império colonial de Portugal incluiu partes da América do Sul, da África e da Ásia. Dois séculos antes das grandes descobertas e do início das colonizações, Portugal era parte de uma região européia bastante arabizada. A Idade Média de Portugal foi vivida, em grande parte, sobre a dominação árabe.
É possível perceber um resultado bastante complexo e mestiçado nos espíritos dos portugueses. Observe-se a existência, na cultura portuguesa, dos traços da complexidade geográfica do Império. É possível ver fortes vestígios das culturas dos colonizados e dos antigos dominadores dos colonizadores.
É bom lembrar o fato da grande duração do feudalismo português e da presença da cultura católica da Contra-Reforma, até o século XX.
O barroco português misturou-se, por exemplo, com as culturas do Brasil. Isto resultou no barroco brasileiro, ainda muito presente na cultura oral e, de modo impressionante, nos meios de comunicação atuais do Brasil.
O sucesso das telenovelas brasileiras em Portugal, por exemplo, está ligado a mesma árvore de origem das culturas de ambos países. Os gostos alimentares dos brasileiros e dos portugueses são próximos, no sentido da utilização dos produtos de origem européia, americana e oriental. Visitar um mercado de produtos orientais ou africanos é, no mesmo sentido, se aproximar de culturas comuns.
A língua portuguesa é a pátria de várias culturas do passado e do presente. No Brasil atual, pode-se ver o crescimento da pressão e da incorporação da língua inglesa pelo português brasileiro.
Em passado recente, pôde-se ver, até a década de 1960, ocorrer o mesmo com a língua francesa e sua influência no português do Brasil. Sabe-se que coisas semelhantes ocorreram nas ex-colônias lusófonas da África e no português de Portugal.
Chegam, hoje, tristes notícias de ameaças concretas do português desaparecer na Guiné Bissau, substituído pelo francês, e do inglês estar substituindo progressivamente o português de Moçambique.
A língua portuguesa continua e continuará a viver dentro das possibilidades de seu futuro histórico. Isto depende de nós. É preciso que exista o engajamento da vanguarda dos seus falantes, para fazer continuar sua história em muitos dos lugares do mundo onde ela é presente.
Não se pode aceitar o mundo com apenas uma língua de comunicação. Isto significa um mundo sem uma alma cultural e sem história. Proclama-se em qualquer língua a beleza do português, sua importância como meio de comunicação humano, que carrega a história de vários povos do mundo.
No presente, a diáspora dos trabalhadores de todas as profissões continua a semear a língua portuguesa em escala universal. Agora, não existem mais os limites geográficos do passado. Os novos limites são os das fronteiras econômicas da mundialização.
Mesmo assim, ainda há um risco, talvez mais forte do que no passado, da língua de Camões e de Saramago desaparecer ou ficar ainda mais frágil. Está disseminada a idéia do pensamento único e de uma única língua 'natural' desta maneira de ver o mundo.
Pode-se resistir!
Luis Carlos Lopes.