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jueves, 28 de octubre de 2010

Cavaco Silva recandidata-se





Aníbal António Cavaco Silva na noite em que anunciou a recandidatura a Belém, sublinhou que não vai recorrer a outdoors e que a despesa total da campanha não ultrapassará metade do valor permitido por lei (4 260 000 euros). "Quando tantos sacrifícios são exigidos aos portugueses, os agentes políticos devem dar o exemplo", sustentou o presidente recandidato no Centro Cultural de Belém, perante familiares e notáveis.
A dereita junta-se, ja que o Conselho Nacional do CDS-PP aprovou, quarta-feira à noite, o apoio do partido à recandidatura de Cavaco Silva à Presidência da República. O anúncio foi feito por Paulo Portas, grande conhecedor de submarinos, no final da reunião, que disse querer que o candidato apoiado pelo PS e BE, Manuel Alegre, seja derrotado. O apoio a Cavaco foi conseguido com 88 por cento dos votos a favor, sete por cento dos conselheiros votaram em branco e cinco por cento defenderam que o partido deveria apresentar um candidato alternativo. Estes parvos descohecem o valor do "Paulinho das Feiras" e seu requinte e charmante maneira de facer política.
No día 23 de janeiro o povo falará e meu desejo está em que Portugal bem meresce afastar a este Senhor de Belém e que naquele espaço entre a poesía.

miércoles, 8 de septiembre de 2010

El Adanismo imperante

Después de un período de reflexión, necesario mentalmente, retomo mis soliloquios anonadado con la cantidad de cosas que han ocurrido, ocurren y van a ocurrir. Los exégetas de lo correcto y vigías de las esencias patrias deberán descolgar de los balcones tanta "banderita" porque se acabó el carbón, como decía el inolvidable Carlos Cano, repasito a los peloteros y a casita los de la canasta.

Marianillo no fue a Rodiezmo porque se está mejor degustando marisco, fumando puros y tumbado a la bartola en esa Galicia meiga, donde curiosamente este año ha habido pocos incendios será qie han vuelto los de siempre y ya no se pega fuego al mato. Tampoco se le había perdido nada, no es su lugar natural, el prefiere maitines en la Plaza del Obradoiro y abrazar a los suyos frente a la Catedral de Santiago. Otros tampoco fueron porque libremente lo decidieron y esa es su responsabilidad, nunca criticaré por lealtad a quién es mi Secretario General, pero con los que me identifico en mis convicciones si estuvieron y siempre estarán porque este es el Partido Socialista Obrero Español en el que llevó más 35 años de militancia.

Me duele este mundo descerebrado, el laissez-faire, el mirar hacia otro lado, el habernos vuelto insensibles y haber desenterrado ese engendro de las "prinarias" que nunca me gustaron y que son ajenas a nuestra cultura politica, pero los adanistas, esos que están encantados de haberse conocido y creen que antes de ellos no hubo nada, han abrazado como conversos furibundos esos fastos para mayor gloria y loor de una malentendida democracia interna.

Estos aprendices de brujo no tienen pasado, ni presente, sólo piensan en su futuro y si este barco zozobra por carecer de mapas y hojas de ruta a ellos les importa poco. Volverá de nuevo la POLITICA, con mayúsculas, seremos reflexivos, sensatos y recuperaremos el camino perdido. ¿Cómo? esa es la cuestión y en ello pondré mis cinco sentidos y mi modesto bagaje, porque estos jóvenes turcos se buscarán cómodos retiros en cualquier lugar, pero atravesar páramos es algo que aprendí hace mucho tiempo y se como se hacen las travesías tempestuosas.

Que el TNT no reviente las siglas del legado de Pablo Iglesias y cada vez se hace más necesario ser humildes y modestos, reconocer errores y emprender la larga caminata. Como mi corazón tiene dos puertas pienso aportar mi granito de arena para que en mi otro país, Portugal, mi amigo y compañero Manuel Alegre sea el Presidente de la República. El país de Pessoa bien merece un Presidente Poeta y a sua candeia hoje é mais necessaria.

Reafirmado en mis ideales me apresto a seguir siendo un combatiente.


lunes, 31 de mayo de 2010

Alegre o meu futuro Presidente


Apoio, apoié e sempre apoiaré a um socialista honesto e de esquerdas. Ontem a Comissão Nacional do PS aprovou por larga maioria apoio à candidatura presidencial de Manuel Alegre, sob proposta do Secretário-Geral, José Sócrates. O S.G. e Primeiro Ministro considera que "a candidatura de Manuel Alegre honra o país".
Foi um dia cheio de felicidade o meu amigo e camarada já é o candidato do PS e de muitos milhares de portugueses a ganhar as presidenciais.
Manuel Alegre nos Açores, na apresentação da sua candidatura a Belém, no día 4 de maio de 2010 tinha dito: "Quero se mais do que vosso Presidente, quero ser vosso aliado e vosso companheiro de viagem". Na ponta de saída o seu Discurso é uma peça de honestidade, tuda uma chamada a renovação da política e da democracia.
Sou socialista, do PS e do PSOE é sou muito feliz, agora a trabalhar e apoiar a o velho poeta e sonhador. Ele mesmo diz: "Sou mais velho, é certo. Mas como lutador, desculpem lá, não há ninguém tão novo ou mais novo do que eu".
Que cada um faça desta campanha um sinal de mudança e de renovação. Eu vou a facer.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Hoje sou feliz.

miércoles, 5 de mayo de 2010

Um Presidente Poeta: Manuel Alegre


Ontem em Ponta Delgada, Açores, Manuel Alegre apresentou formalmente a su candidatura presidencial. Foi no Salão Nobre do Teatro Micaelense onde lançou a sua candidatura a Belém.
A escolha dos Açores para lançar a sua candidatura. Manuel Alegre disse tratar-se de uma homenagem à autonomia regional: "Homenagem à autonomia, sinónimo de liberdade, democracia, desenvolvimento e justiça social. Autonomia cujo aprofundamento e aperfeiçoamento reforçam a especificidade do povo açoriano como parte integrante da identidade nacional portuguesa e o insubstituível contributo da Região Autónoma dos Açores para o fortalecimento da unidade da República".
Eu, socialista e apoiante do Alegre, espero que o PS apoie a uma das suas figuras históricas. Portugal meresce um Presidente Poeta.
O Discurso marca um caminho certo, e a sua candidatura "será o que quiserem os homens e as mulheres" e apontou que "a participação cívica é condição da renovação e revitalização da democracia".
"Quero ser mais do que o vosso presidente, quero ser o vosso aliado e o vosso companheiro de viagem", concluiu Manuel Alegre, depois de apelar aos jovens para que "façam ouvir a sua voz", para que "mostrem o que pretendem construir e não privem o país do seu contributo decisivo".
Quero um Presidente Poeta.

sábado, 12 de diciembre de 2009

Cambiar las cosas



Fiel a la República, a la libertad, a la democracia, al socialismo y sobre todas las cosas a Portugal y al pueblo portugués. Esas son las señas de identidad de Manuel Alegre que ayer en Entrocamento (Portugal) asistió a una cena homenaje de muchos de sus seguidores.
“Há um combate que chama por nós. Para mudar, não para que tudo fique na mesma”.

Sou um militante do Partido Socialista. E sou, como se sabe, um homem de esquerda. Mas sou, acima de tudo, um português preocupado com a sua pátria, palavra que gosto de dizer e que escrevo desde o meu primeiro livro, porque sempre entendi que não devíamos deixar que a ditadura do Estado Novo dela se apropriasse.

A sociedade portuguesa está dividida e crispada. A desconfiança e a descrença imperam. A maledicência, a suspeita e o insulto substituíram o debate de ideias e projectos. Deixou de haver um sentimento de esperança, um golpe-de-asa, um desígnio maior que una e crie harmonia entre os portugueses.

Sobram o sectarismo e a mesquinhez, faltam a generosidade e a grandeza necessárias para nos unirmos em torno de um propósito comum. Sem truques, sem falsas ilusões, mas também sem descrença e fatalismo.

Acima dos sectarismos, das corporações, dos clubes, dos lobbies, das capelinhas e interesses particulares, está a democracia e está Portugal, está a crença em valores comuns, na qual acredita a maioria dos portugueses: os valores da decência e do trabalho honesto, da liberdade e da confiança nas nossas instituições, da justiça e da fraternidade, e da absoluta necessidade de sermos capazes de construir uma prosperidade equitativamente partilhada, ao alcance e para benefício de todos os portugueses.

Os portugueses estão cansados dos profetas da desgraça, daqueles que estão constantemente a decretar o fim iminente de Portugal. Há quem faça disso, em Portugal, uma profissão. Há quem deva o seu estatuto entre nós ao facto de estar constantemente a passar atestados de doença terminal à democracia e ao nosso país.

Mas nada disto é novo. Profetas da desgraça já houve muitos, em todas as épocas da nossa história. E, no entanto, passaram mais de oito séculos e ainda cá estamos.

Portugal é uma magnífica obra da vontade humana. E enquanto for essa a vontade do nosso povo, Portugal continuará a existir. Mesmo contra a vontade de alguns grandes interesses privados, que em vários momentos da nossa história foram “entreguistas”.

Eu não tenho dúvidas sobre a força dessa vontade do nosso povo. Olho à minha volta e vejo patriotas. Vejo gente com vontade de dar a volta a isto. Gente com esperança, que não se conforma e que está disposta a lutar por um país melhor, de que nos orgulhemos e que possamos legar aos nossos filhos, um país mais justo e mais fraterno, mais próspero e mais decente do que o país em que vivemos hoje.

E de onde vem essa força? Vem de dentro de cada um de nós. A nossa força – a força de Portugal – vem do poder dos cidadãos.

- Vem das pequenas e médias empresas que constituem a espinha dorsal da nossa economia, do nosso tecido produtivo, criando riqueza e garantindo a maioria dos empregos do sector privado;

- Vem dos empresários que apostam na inovação, na qualificação e que não abdicam da sua responsabilidade social, pautando a sua actividade económica pela exigência da ética nos negócios e pelo estrito respeito da Lei;

- Vem dos nossos trabalhadores, que podem ser os mais produtivos da Europa (como acontece com os nossos emigrantes no Luxemburgo);

- Vem dos nossos professores – sobretudo do ensino público -, de quem esperamos que eduquem os nossos filhos e netos com rigor e exigência, em nome não das estatísticas, mas da igualdade de oportunidades e do imperativo de formar cidadãos cultos e preparados;

- Vem dos nossos funcionários públicos, que servem o Estado, pagam os seus impostos e merecem ser considerados, em vez de serem apontados como o bode expiatório de todos os males deste país; - Vem dos médicos, enfermeiros e auxiliares que, por vezes em situações muito difíceis, trabalham pelo Serviço Nacional de Saúde;

- Vem da nossa velha e experiente diplomacia, sempre capaz de colocar Portugal, graças à sua história, língua e cultura, acima do seu peso em termos económicos e demográficos;

- Vem das nossas forças armadas, a quem devemos a restituição da liberdade e da democracia, cuja história e tradição praticamente não têm par em países de semelhante dimensão, e que hoje, para além da defesa da soberania, através das missões no estrangeiro, emprestam credibilidade e consistência à nossa política externa;

- Vem de movimentos e organizações de voluntariado que todos os dias combatem a pobreza nos seus aspectos mais extremos;

-Tem de vir da nossa justiça, de uma justiça independente, imune às pressões, tanto do poder político e económico como das tentações corporativas, uma justiça que garanta a separação de poderes, que restaure a credibilidade das instituições, que permita o funcionamento da economia e que devolva aos portugueses a convicção de que vivemos num Estado de direito, em que há absoluta igualdade dos cidadãos perante a lei.

Esta é a nossa gente. Estes são os problemas concretos das pessoas concretas do nosso país. É neles que é preciso pensar. Sobretudo nos que mais precisam: nos desempregados, nos que se encontram em trabalho precário, nos reformados, nos deserdados da vida, nos jovens, mesmo os melhores, que estão desencantados e sem perspectivas. É para eles e sobre eles que se deve debater na AR, com uma cultura democrática de negociação, da parte de todos, governo e oposições. Não há problema em haver discussões fortes no parlamento. Isso é próprio da democracia. E sempre é melhor um parlamento em que se discute do que não haver parlamento nenhum ou então a caricatura que havia na ditadura. Simplesmente : na situação actual é bom que se discuta o que merece ser discutido.

A crise mundial está longe de estar resolvida. As grandes instâncias mundiais, OCDE, Banco Mundial, FMI, Banco Central Europeu, parecem mais empenhadas em preservar o sistema que provocou a crise do que propriamente em resolvê-la. O Mundo está sem modelo. É incompreensível que perante a falência da ideologia neoliberal, as forças de esquerda na Europa não sejam capazes de encontrar novas soluções e novos caminhos ou, pelos menos, de defender o Estado Social que é a sua principal criação. Portugal tem a sua própria crise, agravada pela crise mundial. Os tempos estão difíceis. E podem vir tempos piores. Tempos que exigem coragem, verdade e imaginação.

Será que as esquerdas do nosso País, para além das diferenças dos seus projectos, não serão capazes de fazer um esforço para encontrarem um denominador comum à volta das questões essenciais como as políticas públicas, na educação, na saúde, na segurança social, na fiscalidade, na repartição dos rendimentos, enfim, no respeito pelos direitos sociais consagrados na Constituição?

Será que, tal como em outros períodos históricos, nomeadamente o 25 de Abril, não seremos capazes de ser de novo precursores e descobrir novos caminhos que dêem outro sentido à democracia e outra esperança aos portugueses?

Este é tempo de repor o primado da política e da solidariedade sobre os egoísmos e os grandes interesses.

Este é tempo de uma nova atitude, um novo sentido da responsabilidade e de novas respostas sociais, éticas e políticas. Para que o agravamento da crise, o aumento do desemprego, das desigualdades e das tensões sociais não venha a afectar-nos a todos e a suscitar a questão da própria legitimidade do sistema político.

O que hoje se pede aos políticos não é que se refugiem no silêncio, nem em habilidades tácticas ou querelas artificiais. O que se lhes pede é verdade, sentido da responsabilidade, vontade de mudança.

Para além das diferenças, há um objectivo que deve unir todos os portugueses : esse objectivo é Portugal.

Esse combate vale a pena e chama por nós. Para mudar, não para que tudo continue na mesma. Basta ter esperança e acreditar no nosso poder, no poder dos cidadãos. Porque Portugal não é só de alguns, Portugal é de todos.

Manuel Alegre.

Bien merece la pena pensar y reflexionar sobre las palabras del poeta socialista.


domingo, 20 de septiembre de 2009

Sempre socialistas e do PS












Num discurso emocionado e muito aplaudido, Manuel Alegre afirmou ontem em Coimbra, naquele que foi o maior comício do PS nesta campanha, que “a lógica do Estado mínimo, a retirada do Estado das políticas públicas essenciais traz consigo uma lógica de asfixia social.” “E com asfixia social, sim – sublinhou - é que há asfixia democrática”. Manuel Alegre explicou que teve “a honra de muitas vezes ser cabeça de lista por Coimbra. Desta vez não sou por vontade própria.” “Estou aqui para afirmar a unidade do PS no essencial – e o essencial é derrotar o PSD, é impedir que venha um governo de direita que rasgue as políticas sociais e instaure um Estado mínimo para os pobres e um Estado máximo para os poderosos.”
O camarada socialista e poeta dirigiu-se directamente ao secretário-geral do PS, José Sócrates, para fazer algumas advertências em relação ao futuro. «Meu caro José Sócrates, Portugal precisa de um Governo que seja capaz de se renovar, de se repensar, de ser ele próprio um factor de mudança e de procurar novas soluções para esta crise estrutural. Sobretudo, é preciso nunca esquecer que o poder não é um fim em si mesmo, mas um meio para servir as pessoas».
“Entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite eu escolho, sem ambiguidades, José Sócrates. Entre o PS e o PSD eu estou, como não podia deixar de ser e estive sempre, com o PS”.
“Portugal não precisa do regresso da direita, precisa de um Governo de esquerda, da esquerda possível e esse Governo é o Governo do PS”.
“Neste partido nunca ninguém ficou fora dos combates, nem foi excluído por razões de divergência política. Este é um partido que preza a sua unidade e a constrói na diversidade de pontos de vista”.

Meresceu a pena lá estar, inesquecível e com confiança votar PS no día 27.


viernes, 24 de julio de 2009

34 anos de socialismo



Manuel Alegre de Melo Duarte na hora da despedida, trinta e quatro anos depois de ter entrado pela primeira vez na Assembleia da República como deputado, Manuel Alegre ouviu elogios da esquerda à direita ao seu espírito crítico, coragem e frontalidade.
"Saio da Casa da Democracia fiel à República, à liberdade, à democracia e ao socialismo. E, sobretudo, fiel a Portugal e ao povo português" reafirmou o velho diputado poeta no seu último discurso na AR, aplaudido de pé.

Na data do 23 de julho Alegre dirigou-se a os deputados:

Foi uma honra ter sido deputado durante 34 anos. Saio por decisão pessoal. Mas saio tal como entrei: combatendo pelas minhas ideias e por uma República moderna, em que a democracia política se conjugue com a democracia económica, a democracia social, a democracia cultural e os novos direitos civilizacionais, entre os quais o direito ao ambiente e à beleza. Uma democracia em que os direitos políticos sejam inseparáveis dos direitos sociais consagrados na Constituição. Foi esse o sonho dos deputados constituintes dos diferentes quadrantes ideológicos e políticos. Tal como há 34 anos, é minha convicção que o esvaziamento dos direitos sociais implicará sempre uma discriminação dos direitos políticos e um empobrecimento da democracia.

Pertenço a uma geração que nasceu em ditadura. Assisti às farsas eleitorais e à existência de uma caricatura de parlamento. Andei numa escola primária onde todos os dias se faziam prelecções sobre os males que a política, os partidos e o parlamentarismo tinham feito ao país. Essa cultura populista, anti-democrática e anti-parlamentar renasce por vezes sob outras formas. A Assembleia da República é o mais exposto de todos os órgãos de soberania, o mais escrutinado, aquele que é mais fácil combater. Se alguma coisa aprendi ao longo destes anos, foi que de cada vez que o Parlamento cede ao populismo, este não agradece, reforça-se.

Houve muitos portugueses e portuguesas que lutaram, sofreram a prisão, a tortura e o exílio para que houvesse em Portugal um parlamento democrático. Alguns deram a vida para que hoje seja possível termos uma Assembleia da República livremente eleita pelo povo. Essa é uma responsabilidade que deve inspirar aqueles que vão ser eleitos. Honrar e prestigiar o parlamento é honrar e prestigiar a democracia. Por isso é necessário combater o divórcio crescente entre os cidadãos e a política. O que só é possível com uma intransigente ética republicana, com espírito de serviço público, com transparência e fidelidade à palavra dada perante os eleitores.

Neste último dia recordo o primeiro dia em que aqui entrei. Recordo Francisco Salgado Zenha a entregar-me uma pequena brochura intitulada “A mais bela função do mundo”. Tal como então, continuo a pensar que a função de deputado é a mais bela função do mundo.

Saúdo o Presidente da Assembleia da República, os membros da mesa e os Vice-Presidentes com quem estabeleci laços de leal cooperação e amizade. Cumprimento todos os líderes de todas as bancadas, com um fraterno abraço ao Presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, o meu camarada Alberto Martins. Saúdo os companheiros da Constituinte, Jaime Gama, Mota Amaral, Miranda Calha, Jerónimo de Sousa. Saúdo todas as senhoras e senhores deputados. Agradeço a colaboração e a dedicação de todos os funcionários da Assembleia da República, em especial dos que mais de perto comigo trabalharam. Cumprimento todos os senhores jornalistas pelo seu papel essencial na difusão dos trabalhos parlamentares. Peço desculpa de qualquer falta que por acção ou omissão possa ter cometido. Recordo com emoção as grandes figuras que por aqui passaram, de Adelino Amaro da Costa a Francisco Sá Carneiro, Mário Soares, Salgado Zenha, Álvaro Cunhal, Carlos Brito, entre muitos outros.

Entrei aqui como deputado do Partido Socialista com o sonho de pela primeira vez na história construir uma democracia socialmente avançada. Tal como então continuo a acreditar que esse projecto, sobretudo perante a crise mundial, é não só possível como cada vez mais necessário e urgente. Como há 34 anos, saio da Casa da Democracia fiel à República, à liberdade, à democracia e ao socialismo. E, sobretudo, fiel a Portugal e ao povo português.

Obrigado camarada e até breve.


sábado, 16 de mayo de 2009

Obrigado camarada Manuel Alegre




Em reunião ontem realizada em Lisboa, Manuel Alegre informou os seus apoiantes, pertencentes ao MIC e à Corrente de Opinião Socialista, da decisão pessoal que tomou. Explicou que não saía do PS, porque apesar de poder "não concordar com a prática e as políticas", diz reconhecer-se "nos valores e princípios do socialismo democrático".
Em conferência de imprensa a seguir à reunião, Manuel Alegre leu uma declaração:
1. Não sairei do PS – Ajudei a fazer este partido, a sua história é parte da minha história, posso não concordar com a prática e as políticas, mas reconheço-me nos valores e princípios do socialismo democrático.
2. Não formarei um partido para as próximas legislativas – Reconheço que há uma crise de confiança nos partidos cujo monopólio está a esgotar-se, há a necessidade de renovar a vida política, de cativar os jovens para a política e para a coisa pública, assim como de preparar novas soluções para a esquerda e para a democracia. Mas isso é um processo inseparável do processo social. Exige uma acção pedagógica e o reforço da cidadania. E não se fará sem ou contra o espaço socialista.
3. Não serei candidato a deputado – Fui convidado pelo Secretário Geral, com espírito de abertura e companheirismo, para integrar as listas do PS. Não seria digno impor condições ao Secretário Geral do PS. Só faço exigências a mim mesmo. E são essas exigências que me ditam a decisão de não me candidatar nas próximas eleições legislativas.
Não há ruptura com o PS.
Não há abdicação nem retirada.
Há a decisão de continuar, sob outras formas, o meu combate de sempre pela renovação da vida democrática, pela cidadania e pelo socialismo democrático.
Obrigado camarada, nós os socialistas precisamos de ti.

domingo, 8 de febrero de 2009

Parti de Gauche



Le Parti da Gauche nascido no día 1 de fevereiro do 2009 na França. No Congresso constituinte do Parti de Gauche, reunidos em Limeil Brevannes, já tem a suas bases ideológicas na sua Motion orientative . Fico com a ideia de que é saudável a fundação do Partido de Esquerda e faço minhas as palavras do Manuel Alegre dirigidas a o Congresso na sua Mensagem.
Mas é preciso um sopro de renovação. Uma nova esquerda só poderá nascer de várias rupturas das diferentes esquerdas consigo mesmas. Ruptura com as práticas gestionárias e cúmplices do pensamento único. Ruptura com a cultura do poder pelo poder e com o seu contrário, a cultura da margem pela margem, da contra-sociedade e do contrapoder.
Nesta fase de crise mundial, o que se impõe não é salvar o sistema, mas ousar mudar o sistema. Esta é a hora em que o mundo precisa de esquerda.
Esta é a hora em que a Europa precisa mais do que nunca de esquerda. Os socialistas do século XIX formularam as primeiras respostas à injustiça inerente ao capitalismo. Faliram as respostas mas a pergunta permanece. Esta é a hora de construir novas respostas. Esta é a hora de reinventar a esquerda. À escala de cada país, à escala da Europa e à escala do mundo.
Este é um tempo de construir soluções alternativas novas e o tempo da razão como diz o poeta socialista Antero de Quental no seu Hino à Razão.
Razão, irmã do Amor e da Justiça,
Mais uma vez escuta a minha prece.
É a voz dum coração que te apetece,
Duma alma livre, só a ti submissa.

Por ti é que a poeira movediça
De astros e sóis e mundos permanece;
E é por ti que a virtude prevalece,
E a flor do heroísmo medra e viça.

Por ti, na arena trágica, as nações
Buscam a liberdade, entre os clarões;
E os que olham o futuro e cismam, mudos,

Por ti, podem sofrer e não se abatem,
Mãe de filhos robustos, que combatem
Tendo o teu nome escrito em seus escudos!

sábado, 13 de diciembre de 2008

Fórum das Esquerdas



Mañana como miembro del Movimento de Intervençao e Cidadanía tengo un cita ineludible en Lisboa a la que no pienso faltar.

Na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, um novo encontro das esquerdas subordinado ao tema "Democracia e Serviços Públicos".O Apelo para a sua realização é subscrito por mais de cinquenta personalidades dos vários quadrantes da esquerda e independentes. Manuel Alegre, Ana Drago e Maria do Rosário Gama encerram os debates.

O "novo ciclo" da esquerda está em marcha com o debate Democracia e Serviços Públicos segundo palavras do deputado socialista Manuel Alegre que justifica a sua presença no 2º Fórum das Esquerdas, dizendo que não se trata de um encontro partidário
Trata-se de um movimento de cidadãos, filiados e não filiados que pretende encontrar "outras" soluções. “Não é uma reunião inter-partidária, é uma reunião de cidadãos e cidadãs de esquerda - uns têm filiação partidário, outros não têm - e que procuram encontrar-se e buscar novas soluções para uma época que exige grandes mudanças”.

É tempo de falar da "esquerda" e mudar o rumo do nosso tempo.

martes, 28 de octubre de 2008

Manuel Alegre, mais uma vez....


"Nada ficará como dantes. Mas em que sentido se fará a mudança? Era aí que a esquerda deveria ter um papel."
VIA NOVA

Segundo o General de Gaulle, comete-se por vezes o erro de ter razão antes de tempo. Na moção "Falar é preciso", apresentada ao Congresso do PS em 1999, cometi esse erro:
"A crise financeira que alastrou, dos mercados asiáticos à Rússia e já ameaça gravemente o Brasil e toda a América Latina, pode minar, de um momento para o outro, pela incerteza e pela volatilidade, o próprio funcionamento dos maiores centros financeiros do mundo. A 'mão invisível' falhou. São os mais ortodoxos ultraliberais, como Milton Friedman, que vêm agora pedir a nacionalização da banca no Japão.
"E é por isso que é necessária uma nova esquerda. À escala europeia, primeiro. Mas capaz de se fazer ouvir, também, à escala mundial. À dimensão planetária do actual poder económico, financeiro e mediático, há que contrapor uma alternativa política.
"Temos de continuar a exigir uma reforma das instituições internacionais, do FMI ao Banco Mundial, para que deixem de ser arautos e agentes do pensamento único. Outra lógica terá de presidir à Organização Mundial do Comércio, para que a livre circulação de mercadorias não se torne em mais um instrumento de enfraquecimento das economias mais frágeis.
"É preciso regular os mercados financeiros mundiais, cuja ditadura e irracionalidade põem em causa a própria estabilidade dos sistemas políticos democráticos."
Que fazer agora?
Os defensores do Estado mínimo, ideologicamente derrotados, pedem a intervenção do Estado. Para quê? Suspeita-se que para manter o que está e socializar as perdas. O problema é que, se tudo ficar na mesma, as mesmas causas produzirão os mesmos efeitos.
E a esquerda? Como escrevi, também antes de tempo, na moção que levei ao Congresso do PS de 2004:
"A esquerda tem de integrar e debater, no seu pensamento próprio, os princípios e os instrumentos possíveis de regulação da globalização: o combate à predação das multinacionais que localizam e deslocalizam investimentos a seu bel-prazer, a taxação das transacções financeiras internacionais, a abertura dos mercados dos países desenvolvidos às exportações oriundas dos países em vias de desenvolvimento, a travagem da proliferação dos off-shores, o combate à economia 'suja' dos tráficos de pessoas, drogas e dinheiro, o combate à exploração de mão-de-obra infantil, escrava ou sem quaisquer direitos sociais, e à degradação ambiental."
Propus então um novo Contrato Social. E um Estado estratega, "cuja função não se reduz ao papel de árbitro, mas de produtor de bens públicos essenciais, desde o funcionamento do Estado de Direito à promoção dos serviços de interesse geral e à regulação dos mercados. Um Estado estratega a quem caberá suprir as falhas do mercado e estimular áreas ou sectores qualificados." E acrescentava: "Para desempenhar essa função, o Estado precisa de manter nas suas mãos instrumentos eficazes, como por exemplo a Caixa Geral de Depósitos.
" Hoje até Alan Greenspan reconheceu que errou ao confiar que o mercado pode regular-se a si próprio. Mas, em 2004, aquelas ideias que propus pareceram arcaicas aos fundamentalistas do neoliberalismo e aos entusiastas da chamada esquerda moderna.
Não se sabe que réplicas se seguirão ao tsunami que abalou o sistema financeiro mundial. Nem até que ponto irá a recessão económica e quais as suas consequências sociais e políticas. Sabe-se que nada ficará como dantes. Mas em que sentido se fará a mudança? Era aí que a esquerda deveria ter um papel. Mas onde está ela? Talvez algo de novo possa surgir de uma vitória de Obama. Pelo menos um sopro de renovação. Mas há um grande défice de esquerda na Europa. Uma nova esquerda só poderá nascer de várias rupturas das diferentes esquerdas consigo mesmas. Ruptura com as práticas gestionárias e cúmplices do pensamento único. Ruptura com a cultura do poder pelo poder e com o seu contrário, a cultura da margem pela margem, da contra-sociedade e do contrapoder. Processo difícil, complicado, mas sem o qual não será possível construir novas convergências. Não para a mirífica repetição da revolução russa de 1917, nem para um modelo utópico global. Tão-pouco para segundas ou terceiras vias. Mas para uma via nova, que restitua à esquerda a sua função de força transformadora da sociedade e criadora de soluções políticas alternativas.
Manuel Alegre
Artigo publicado no DN a 28 de outubro de 2008.
Mais uma vez, caro amigo e camarada, falas verdade.

sábado, 15 de marzo de 2008

"Eu não me conformo"


"Nambuangongo, meu amor - os poemas da guerra", antologia de Manuel Alegre, vai ser lançada na próxima segunda-feira, dia 17 de Março, pelas 19.30, no Palácio das Galveias, ao Campo Pequeno, em Lisboa. A obra será apresentada por Lídia Jorge e a sessão contará com as participações de Rui Mendes e Paulo de Carvalho.

Manuel Alegre explica a razão de ser desta antologia: "Ao preparar uma futura antologia poética, constatei que os poemas sobre a guerra de África, escritos em momentos diferentes e ainda que não totalmente autónomos relativamente aos livros em que foram publicados, constituem, de certo modo, um livro com uma identidade própria. Por isso, acrescenta, decidi reuni-los, não segundo a ordem cronológica em que foram escritos e editados, mas segundo um critério que, em meu entender, permite realçar a conexão entre eles e o tempo ou tempos da própria guerra." A obra reune poemas que vão desde os livros Praça da Canção e O Canto e as Armas, "na sua maioria, escritos em Angola" até poemas que lhes são "muito posteriores, mas incidindo sobre outro tempo: o de Mafra, o da partida, o da chegada a Angola e o da revelação da guerra.
" A antologia termina com o poema “À sombra das árvores milenares”, incluído no recente livro Doze Naus, um poema onde, segundo Manuel Alegre, "talvez perpassem todos os outros, mas só muitos anos depois poderia ter sido escrito" .
Parabéns caro amigo e camarada.

miércoles, 6 de febrero de 2008

Socialista e do PS para sempre


Manuel Alegre estive no día 29 de janeiro em Vila Nova de Gaia no Clube dos Pensadores a participar num debate sobre "O sistema político-alternancia e alternativas". A intervençao do Alegre intitula-se: "O dever dos socialistas é continuar a perguntar", meresce a pena ler a mesma Intervençao em Vila Nova de Gaia.
Manuel Alegre exige mais socialismo dentro do PS, e para o conseguir, admite mesmo recorrer à criação de uma nova corrente de opinião no interior do partido.
No seu blogue Manuel Alegre o velho lutador, poeta e socialista de alma e sentimento, fala do futuro num editorial que disce: "Nos últimos dias criou-se a meu respeito mais um estereotipo, o de que eu iria criar um novo partido e que estava a ser pressionado nesse sentido. Nunca tal afirmei a quem quer que fosse. Nem tenho conhecimento de qualquer pressão nesse sentido, sendo certo também que, tal como disse em Gaia, não me deixo condicionar por agendas mediáticas ou alheias nem gosto que decidam pela minha cabeça ou me atribuam intenções que nunca proclamei. A reunião que convoquei para dia 9 de Fevereiro é uma reunião de militantes socialistas que me apoiaram nas presidenciais, com o único objectivo de uma reflexão comum sobre a situação do PS e do país, tendo em vista contribuir, tal como afirmei em Gaia, para uma eventual corrente de opinião socialista."

Faço minhas as palavras do Alegre em Gaia: "Há tempos disse que havia um buraco negro na esquerda. Creio que começa a haver bloqueios na própria democracia, porque esta não supõe apenas alternância, precisa também de alternativas."
É preciso mais esquerda na esquerda.
É preciso mais socialismo no partido que dele se reclama.
É preciso mais democracia na democracia.

martes, 31 de julio de 2007

Manuel Alegre, poeta e socialista





Manuel Alegre el día 23 de julio publicaba un artículo en el Diario Público , artículo que merece la pena leer, e igualmente el llamamiento y apoyo que en nombre del MOVIMENTO DE INTERVENÇAO E CIDADANIA, nos realiza a todos los miembros del mismo ,José de Faria Costa, Presidente da Mesa da Assembleia Geral do MIC, Llamamiento que suscribo como miembro participante del MIC y hago mías las palabras de Manuel Alegre.

Contra o medo, liberdade

Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra eles lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á. Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da Pide. Casos pontuais em si mesmos inquietantes. E em que é tão condenável a denúncia como a conivência perante ela.

Não vivemos em ditadura, nem sequer é legítimo falar de deriva autoritária. As instituições democráticas funcionam. Então porquê a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa? Porquê o medo? De quem e de quê? Talvez os fantasmas estejam na própria sociedade e sejam fruto da inexistência de uma cultura de liberdade individual.

Sottomayor Cardia escreveu, ainda estudante, que “só é livre o homem que liberta”. Quem se cala perante a delação e o abuso está a inculcar o medo. Está a mutilar a sua liberdade e a ameaçar a liberdade dos outros. Ora isso é o que nunca pode acontecer em democracia. E muito menos num partido como o PS, que sempre foi um partido de homens e mulheres livres, “o partido sem medo”, como era designado em 1975. Um partido que nasceu na luta contra a ditadura e que, depois do 25 de Abril, não permitiu que os perseguidos se transformassem em perseguidores, mostrando ao mundo que era possível passar de uma ditadura para a democracia sem cair noutra ditadura de sinal contrário.

Na campanha do penúltimo congresso socialista, em 2004, eu disse que havia medo. Medo de falar e de tomar livremente posição. Um medo resultante da dependência e de uma forma de vida partidária reduzida a seguir os vencedores (nacionais ou locais) para assim conquistar ou não perder posições (ou empregos). Medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado. No PS sempre houve sensibilidades, contestatários, críticos, pessoas que não tinham medo de dizer o que pensam e de ser contra quando entendiam que deviam ser contra. Aliás, os debates desse congresso, entre Sócrates, eu próprio e João Soares, projectaram o PS para fora de si mesmo e contribuíram em parte para a vitória alcançada nas legislativas. Mas parece que foram o canto do cisne. Ora o PS não pode auto-amordaçar-se, porque isso seria o mesmo que estrangular a sua própria alma.

Há, é claro, o álibi do governo e da necessidade de reduzir o défice para respeitar os compromissos assumidos com Bruxelas. O governo é condicionado a aplicar medidas decorrentes de uma Constituição económica europeia não escrita, que obriga os governos a atacar o seu próprio modelo social, reduzindo os serviços públicos, sobrecarregando os trabalhadores e as classes médias, que são pilares da democracia, impondo a desregulação e a flexigurança e agravando o desemprego, a precariedade e as desigualdades. Não necessariamente por maldade do governo. Mas porque a isso obriga o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) conjugado com as Grandes Orientações de Política Económica. Sugeri, em tempos, que se deveria aproveitar a presidência da União Europeia para lançar o debate sobre a necessidade de rever o PEC. O Presidente Sarkozy tomou a iniciativa de o fazer. Gostei de ouvir Sócrates a manifestar-se contra o pensamento único. Mas é este que condiciona e espartilha em grande parte a acção do seu governo.

Não vou demorar-me sobre a progressiva destruição do Serviço Nacional de Saúde, com, entre outras coisas, as taxas moderadoras sobre cirurgias e internamentos. Nem sobre o encerramento de serviços que agrava a desertificação do interior e a qualidade de vida das pessoas. Nem sobre a proposta de lei relativa ao regime do vínculo da Administração Pública, que reduz as funções do Estado à segurança, à autoridade e às relações internacionais, incluindo missões militares, secundarizando a dimensão administrativa dos direitos sociais. Nem sobre controversas alterações ao estatuto dos jornalistas em que têm sido especialmente contestadas a crescente desprotecção das fontes, com o que tal representa de risco para a liberdade de imprensa, assim como a intromissão indevida de personalidades e entidades na respectiva esfera deontológica. Nem sobre o cruzamento de dados relativos aos funcionários públicos, precedente grave que pode estender-se a outros sectores da sociedade. Nem ainda sobre a tendência privatizadora que, ao contrário do Tratado de Roma, onde se prevê a coexistência entre o público, o privado e o social, está a atingir todos os sectores estratégicos, incluindo a Rede Eléctrica Nacional, as Águas de Portugal e o próprio ensino superior, cujo novo regime jurídico, apesar das alterações introduzidas no parlamento, suscita muitas dúvidas, nomeadamente no que respeita ao princípio da autonomia universitária.

Todas estas questões, como muitas outras, são susceptíveis de ser discutidas e abordadas de diferentes pontos de vista. Não pretendo ser detentor da verdade. Mas penso que falta uma estratégia que dê um sentido de futuro e de esperança a medidas, algumas das quais tão polémicas, que estão a afectar tanta gente ao mesmo tempo.

Há também o álibi da presidência da União Europeia. Até agora, concordo com a acção do governo. A cimeira com o Brasil e a eventual realização da cimeira com África vieram demonstrar que Portugal, pela História e pela língua, pode ter um papel muito superior ao do seu peso demográfico. Os países não se medem aos palmos. E ao contrário do que alguém disse, devemos orgulhar-nos de que venha a ser Portugal, em vez da Alemanha, a concluir o futuro Tratado europeu. Parafraseando um biógrafo de Churchill, a presidência portuguesa, na cimeira com o Brasil, recrutou a língua portuguesa para a frente da acção política. Merece o nosso aplauso. O que não merece palmas é um certo estilo parecido com o que o PS criticou noutras maiorias. Nem a capacidade de decisão erigida num fim em si mesma, quase como uma ideologia. A tradição governamentalista continua a imperar em Portugal. Quando um partido vai para o governo, este passa a mandar no partido que, pouco a pouco, deixa de ter e manifestar opiniões próprias. A crítica é olhada com suspeita, o seguidismo transformado em virtude.

Admito que a porta é estreita e que, nas circunstâncias actuais, as alternativas não são fáceis. Mas há uma questão em relação à qual o PS jamais poderá tergiversar: essa questão é a liberdade. E quem diz liberdade diz liberdades. Liberdade de informação, liberdade de expressão, liberdade de crítica, liberdade que, segundo um clássico, é sempre a liberdade de pensar de maneira diferente. Qualquer deriva nesta matéria seria para o PS um verdadeiro suicídio.

António Sérgio, que é uma das fontes do socialismo português, prezava o seu “querido talvez” por oposição ao espírito dogmático. E Antero de Quental chamava-nos a atenção para estarmos sempre alerta em relação a nós próprios, porque “mesmo quando nos julgamos muito progressistas, trazemos dentro de nós um fanático e um beato.” Temo que actualmente pouco ou nada se saiba destas e doutras referências.

Não se pode esquecer também a responsabilidade de um poder mediático que orienta a agenda política para o culto dos líderes, o estereotipo e o espectáculo, em detrimento do debate de ideias, da promoção do espírito crítico e da pedagogia democrática. Tenho por vezes a impressão de que certos políticos e certos jornalistas vivem num país virtual, sem povo, sem história nem memória.

Não tenho qualquer questão pessoal com José Sócrates, de quem muitas vezes discordo mas em quem aprecio o gosto pela intervenção política. O que ponho em causa é a redução da política à sua pessoa.

Responsabilidade dele? A verdade é que não se perfilam, por enquanto, nenhumas alternativas à sua liderança. Nem dentro do PS nem, muito menos, no PSD. Ora isto não é bom para o próprio Sócrates, para o PS e para a democracia. Porque é em situações destas que aparecem os que tendem a ser mais papistas que o papa. E sobretudo os que se calam, os que de repente desatam a espiar-se uns aos outros e os que por temor, veneração e respeitinho fomentam o seguidismo e o medo.

Sei, por experiência própria, que não é fácil mudar um partido por dentro. Mas também sei que, assim como, em certos momentos, como fez o PS no verão quente de 75, um partido pode mobilizar a opinião pública para combates decisivos, também pode suceder, em outras circunstâncias, como nas presidenciais de 2006 e, agora, em Lisboa, que os cidadãos, pela abstenção ou pelo voto, punam e corrijam os desvios e o afunilamento dos partidos políticos. Há mais vida para além das lógicas de aparelho. Se os principais partidos não vão ao encontro da vida, pode muito bem acontecer que a recomposição do sistema se faça pelo voto dos cidadãos. Tanto no sentido positivo como negativo, se tal ocorrer em torno de uma qualquer deriva populista. Há sempre esse risco. Os principais inimigos dos partidos políticos são aqueles que, dentro deles, promovem o seu fechamento e impedem a mudança e a abertura.

Por isso, como em tempo de outros temores escreveu Mário Cesariny: “Entre nós e as palavras, o nosso dever falar.” Agora e sempre contra o medo, pela liberdade.

Bem-haja Manuel Alegre


lunes, 11 de junio de 2007

Dia de Portugal.


El día 10 de junio es el Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Lo es porque en dicha fecha Luis Vaz de Camoes , autor del poema épico Os Lusíadas, falleció en la ciudad de Lisboa en 1580 y está considerado como el mayor poeta en lengua portuguesa, aunque escribió sonetos en castellano.
Este año se escogió la ciudad de Setúbal, municipio gobernado por Maria das Dores Marques Banheiro Meira del Partido Comunista Português, para celebrar los principales eventos. Estos fueron presididos por Aníbal José Cavaco Silva, Presidente de la República (conservador) y José Sócrates , Primer Ministro (socialista) y que tuvo su punto álgido en la lectura de pasajes de Os Lusíadas de Camões, por parte de Cavaco Silva y Manuel Alegre, poeta y ex candidato socialista independiente a la Presidencia de la República, al cuál derrotó Cavaco Silva en las Elecciones Presidenciales últimas.
Aparte de que cada uno mantuviera sus principios, su ideología, sus valores, y así los expresara en dichos actos, parece un modelo que para estas tierras quisieramos el que en un día señalado, todos se sientan unidos por símbolos y valores que a todos pertenecen, que nadie intenta usufructuar en beneficio propio, que nadie instrumentaliza, que son en suma parte de la vida cotidiana de todos y que nunca nadie se atreve a apropiarse de ellos.
Todos cantan A Portuguesa, su himno nacional, que si tiene letra y y todos la comparten y no existen barandas que se lo tengan que inventar para ¿unir? a los ciudadanos, como parece que en nuestro país los del "taco" y el "fútbol" quieren reinventar una letra para no sabemos que intereses espúreos, bajo la batuta de ese organismo tan democrático y representativo como es el Comité Olímpico Español.
Lo dicho, nada es mejor ni peor, tan solo diferente, mientras unos tienen algunas cositas claras, aquí entre Peones Negros, Aveteros, Etarras, Peperos de tronío, Marianillo, Rouco y Varela, Cagnizares, los Objetores de la Educación para la Ciudadanía, la COPE, y toda la jarca morena a seguir tensando la cuerda haber si esto revienta en su beneficio particular.
Estos pavos se preguntan: ¿Queremos saber? y uno se responde que querrán saber estos artistas del alambre que no conozcan de antemano, lo dicho menos Savonarolas gritones y más gente con seso, las vísceras no sirven para tenerlas todo el día en la boca escupiendo y echando espumarajos, pero esta España de nuestros dolores tiene todavía muchas cosas que aprender, esencialmente, tolerancia y respeto al diferente.
A pasitos cortos, no sin algún tropezón, los socialistas intentamos construir una sociedad más tolerante, justa y solidaria, confío en que nos dejen intentarlo con sosiego y buen tino.>

jueves, 7 de junio de 2007

Movimento de Intervenção e Cidadania


O MIC é um movimento independente, transversal e aberto a filiados ou não filiados em partidos políticos, que desenvolve a sua acção para o aperfeiçoamento da cidadania e para o revigoramento da sociedade civil, contribuindo activamente para melhorar a qualidade da democracia.
O MIC tem a sua génese nos princípios informadores da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República, sendo a defesa, disseminação, desenvolvimento e actualização desses princípios a razão histórica da sua constituição.
O MIC tem uma Carta de Intenções aprovada em 18 de Fevereiro de 2006 em Coimbra e rege-se pelos Estatutos aprovados na Assembleia Constituinte de 27 de Maio de 2006, reunida em Lisboa sob a presidência de Manuel Alegre.
O MIC é uma associação cívica, de direito privado, com personalidade jurídica e sem fins lucrativos, com sede em Coimbra, que visa actuar em todo o território continental, nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores e junto das comunidades portuguesas.
O MIC está aberto a todos as cidadãs e cidadãos que se identifiquem com os seus objectivos e queiram participar nas suas actividades.
O MIC defende a total transparência do financiamento das suas actividades como garantia de independência e integridade.
Meresce a pena participar, participe no MIC.

lunes, 4 de junio de 2007

Marchar pelo Ambiente










Recibido de mi prezado e muito querido amigo, camarada e companheiro Goyo Tovar el eco-meme, a la hora cierta y el día indicado, comenzó a espalharse pelo mundo lusófono o apoio a o compromisso de Marchar pelo Ambiente , nesta data professores e alunos querem sensibilizar para a reciclagem e preservação da cidade de Lisboa, é amanhá dia 5 de junho cerca de 700 alunos e professores das escolas dos 2º e 3º ciclos de Lisboa vão realizar nesta terça-feira, Dia Mundial do Ambiente, uma marcha ecológica na Baixa pombalina pela reciclagem e preservação da limpeza da cidade.


No será la única oleada, la red se llenará de activistas dispuestos a hacer realidad que no nos coja el vacío y la desesperanza. El PNUMA no es una quimera, una ecosofía o una entelequia, es algo mucho más profundo y desde este nuevo uso solidario y comprometido de las nuevas tecnologías, de nuestros modestos blogs, como los antiguos practicantes de la agi-pro (a muchos no se nos ha olvidado) vamos a dar la tabarra el 5 de junio de 2007, desde o Minho até a Beira Interior, desde o Archipélago dos Açores até Pernambuco e Rio Grande do Sul, as marés das naus levaram a nossa menssagem de lutar e trabalhar para que o vazio nao chegue.


Vai-lá uma monstra do viagem pelo mundo de nosso contributo, é simplesmente um poeminha do meu admirado e prezado Manuel Alegre tirado do seu novo libro Doze Naus.


O VAZIO

Por vezes de repente há um vazio
nem um gesto nem voz nem pensamento
terrível como a foz do grande rio
onde vai dar algures o esquecimento.

Nem branco ou negro nem sequer cinzento
um calor sem calor. Frio sem frio.
Nao há nada por fora. E nada dentro.
Nao é menos nem mais. É só vazio.

No habrá vacío, mañana mostraré mi contributo realizando mi paseo diario en bicicleta, ya atardecido, recorreré 3 kilómetros de la autovía/autoestrada que une Espanha e Portugal a través del Puente José Saramago, tres en territorio español y tres en territorio portugués con una mochila con dos bolsas de plástico, en ellas iré echando todo los papeles que me encuentre a un lado y a otro de la antigua raia fronteiriça, acabada la faena verteré los papeles en los contenedores de cada país, en cada uno de ellos los que contenga la bolsa correspondiente, no se cuál será el resultado, pero me atrevo a aventurar cuál será la bolsa más llena, yo si se cuál será. Vocês acho que também sabem qual será a bolsa mais enchida de papéis, a espanhola, nao tenho dúbidas.

Y atado a esta banderita




miércoles, 23 de mayo de 2007

Conseguir o Impossível




Apresentação pública do livro "Conseguir o Impossível" é no dia 29 de Maio, terça-feira, Hotel Altis, Sala Milão. Com a participação de Manuel Alegre e dos coordenadores do livro, esta obra será apresentada por Manuel Villaverde Cabral. O livro conta a história da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República em 2006.

Como foi possível a uma candidatura sem apoio partidário organizar uma campanha em torno de uma estratégia e de uma mensagem que mostraram ter elevada eficácia política e eleitoral? Com capítulos de várias personalidades, do próprio Manuel Alegre e de voluntários que viveram a campanha, o livro conta-nos a história da estratégia adoptada, da organização do voluntariado e dos papéis da Internet e dos movimentos de cidadãos que se geraram à volta da campanha. Organizado por Helena Roseta, Manuela Júdice e Nuno David, o livro conta ainda com o posfácio de Nuno Júdice.
O poeta socialista ainda escreve poesía, a nova obra tem o nome de DOZE NAUS, A Professora Yvette Centeno, na apresentação da obra, afirmou que o poeta "escrevive", ou seja, "escreve para viver, em sentido absoluto, e vive para escrever, também em sentido absoluto." O que representa, explicou, "uma entrega fiel, que não permite hesitação ou outras mais fáceis escolhas."
Meresce a pena ler a intervençao da Professora Ivette no día 2 de maio de 2007, Doze Naus de Manuel Alegre, conclui desejando bons ventos e muito mar a este navegante na sua navegação.
E deixa um apelo ao leitor: que leia, pois ler faz parte da vida. Vive menos e menos bem quem não se entrega à leitura.

lunes, 23 de abril de 2007

Allez Segolene Royal


Segolene Royal consiguió ayer en la I Vuelta de las Elecciones Presidenciales Francesas un total de 9.501.295 votos (25,87%) y consiguió el pase a la II Vuelta el próximo 6 de mayo.
El ganador de la consulta, el derechista, Nicolás Sarkozy obtuvo 11.450.302 (31,18%). El resto hasta un total de 10 candidatos más (trosquistas de diverso cuño, la extrema derecha, comunistas, alternativos y toca bolas de todo género) alcanzaron 15.773.248 votos.
Lo importante es haber superado, a pesar de las zancadillas de los gurús y tuferarios de Partido Socialista Francés, una mujer de izquierdas el desastre de Lionel Jospin en 2002 donde fue batido por el impresentable e incombustible Jean Marie LePen (vaya personaje), y la malta tuvo que votar con la nariz tapada a Monsieur Jacques Chirac (40 años chupando del bote) para evitar que el racista, xenófobo y demás lindezas de LePen pudiera ganar y sentar sus posaderas en el Palacio del Elíseo.
Me cae bien que esta madame, hija de un militarote fascista, nacida en Senegal, haya sido capaz de dar una esperanza a la izquierda francesa, en unos tiempos donde el tufo conservador lo impregna todo, y deberá partirse la cara con el noble de ascendencia húngara Sarkozy. Lo tiene un poco crudete, la verdad sea dicha, pero joé vamos a creernos que es posible y que una mujer se siente en la cúpula del poder en Francia. No es Marianne (una mujer con gorro frigio) el símbolo de la Republique, pues lo dicho ALLEZ SEGOLENE.
De todos los comentarios que he leído sobre el tema de gentes de izquierda me quedo, lo siento es mi debilidad, con las palabras del poeta y Diputado Socialista portugués Manuel Alegre:
Uma vitória da democracia participativa.

Congratulo-me com o resultado alcançado por Ségolène Royale na primeira volta das eleições presidenciais francesas. Acompanhei a sua candidatura desde o início, quando era apoiada por um movimento de cidadãos que rapidamente se estendeu a toda a França e lhe permitiu depois alcançar o apoio do PS e dos milhares de novos militantes que se inscreveram para nela votar.
Este resultado de Ségolène Royale é uma vitória da democracia participativa. Espero que ele se transforme agora numa vitória na segunda volta contra o candidato da direita, colocando à frente dos destinos da França uma candidatura construída de forma diferente e participada pelos cidadãos e abrindo novas perspectivas à renovação da esquerda e da vida democrática. Será também um sinal de esperança para superar o défice democrático na construção da cidadania europeia.
Manuel Alegre
Ahora si quereis ver más detalles del tema, hay politólogos y estudiosos de todo, os recomiendo el siguiente enlace, allí podreís ver hasta como fueron los resultados en el pueblo o distrito más pequeñito, de la jartá de franceses que votaron, caralho, más de 37 millones de votantes sobre un censo de 44 millones, si es que allí mejor o peor saben que la democracia hay que ejercitarla todos los días.